Fotografia: Edineide Silva e Diego Marques |
As vespas são conhecidas principalmente pela dor
provocada por sua picada, mas veremos a seguir que elas trazem-nos um imenso
benefício: podem ser usados no combate às pestes agrícolas e à insetos que
transmitem doenças. As vespas do gênero Nasonia, por exemplo, matam
outros insetos e depositam seus ovos neles. As larvas que surgem alimentam do
corpo do hospedeiro para crescerem.
Os cientistas que produziram um estudo sobre
vespas publicado na revista Science dizem que elas podem ser usadas
como pesticida natural, e até que elas sejam domesticadas. Este estudo
conseguiu sequenciar o genoma (informação hereditária de um organismo que está
codificada em seu DNA) de três espécies de vespas Nasonia, o que pode
facilitar sua domesticação.
Esse tipo de vespa tem predisposição genética
para serem parasitas de determinados insetos (como a mosca varejeira), mas
acreditam que brevemente será possível direcioná-las para atacarem uma espécie
específica de praga.
“A ideia é utilizar os animais adultos, que podem
ser produzidos em larga escala em laboratório e liberados no local desejado”,
afirma o biólogo brasileiro Alexandre Cristino, pesquisador da Universidade de Queensland
(Austrália) e um dos autores do estudo.
O algodoeiro é geralmente atacado com muita
frequência por pragas, e desta forma, utiliza-se uma grande quantidade de
agrotóxicos. Diante disso, uma alternativa recomendada pela Embrapa é um
programa de controle biológico, usando vespas do gênero Trichogramma.
As Trichogrammas parasitam ovos de várias
mariposas antes da eclosão e do nascimento das lagartas, controlando as pragas
antes que elas possam causar danos. Assim, diminui-se o risco ambiental
provocado pelo uso de produtos químicos nas plantações.
Essas vespas podem ser produzidas em laboratório
num período de até 70 dias. O desenvolvimento desses parasitoides acontece
dentro dos ovos do hospedeiro que, após oito dias, se completa, estando pronto
para ser liberado no campo. Promovendo controle de pelo menos 80% das pragas e
tem um custo menor do que os demais métodos.
Insetos têm uma grande importância na polinização
de flores, as vespas também desempenham esse papel. Assim como as abelhas, as
vespas trasportam o pólen de plantas provenientes de uma para outra. As flores
fornecem benefícios para as mesmas, algumas usam como fonte de alimento e
abrigo.
Essa técnica é inovadora, mas não é nova, pois na
Europa já haviam estudos e uso de insetos como os da espécie Cotésia (uma
vespinha, considerada hoje o mais eficiente agente de controle biológico,
garantindo um excelente controle da broca-da-cana), mas essa espécie não é
muito eficaz, pelo fato de atacar apenas a lagarta só após a
infestação da plantação. Por esse motivo foi decidido o uso de outra espécie, a
Trichogramma (vespas sem ferrão, que são parasitas internos de ovos de
insetos), que parasitam internamente os ovos das pragas e não os deixa chegarem
a fase adulta, e assim sendo mais eficiente que outras espécies, alem de serem
utilizadas em lavouras muito importantes como cana de açúcar e soja.
Autores: Ajeilson Oliveira
Diego Marques
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